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Guia de Viagem a Matera 2026

Guia de Viagem a Matera 2026

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Last updated: 2026-03-02

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Guia de Viagem a Matera 2026

🏰 Os Sassi: Distritos Rupestres UNESCO

Os antigos distritos rupestres de Matera são maravilhas arquitetónicas que documentam 9.000 anos de habitação humana contínua.

  • Sasso Caveoso: O maior e mais comercial dos dois distritos Sassi, com habitações rupestres bem preservadas, igrejas e cisternas. Esta área foi extensivamente restaurada e é hoje um bairro vibrante com restaurantes e lojas.
  • Sasso Barisano: O distrito menor e mais residencial, com ruas mais estreitas e casas rupestres mais autênticas. Tem um ambiente mais vivido e menos turístico, oferecendo um vislumbre genuíno da vida tradicional de Matera.
  • Cisternas e Sistemas de Água: Os antigos sistemas subterrâneos de recolha de água que sustentaram a cidade durante milénios. A maior cisterna, Cisterna del Palombaro, apresenta um impressionante teto abobadado e foi usada no filme “A Paixão de Cristo” de Mel Gibson.
  • Habitações Rupestres: Muitas das casas rupestres originais foram convertidas em hotéis boutique, restaurantes e museus. Algumas ainda funcionam como residências privadas, mantendo o património vivo da cidade.

⛪ Igrejas Rupestres e Património Religioso

As igrejas rupestres de Matera representam o auge da arquitetura rupestre bizantina e da arte religiosa.

  • Cripta do Pecado Original: Uma deslumbrante igreja rupestre do séc. IX com frescos excecionais que retratam o pecado original e a redenção. A acústica e iluminação da igreja criam uma atmosfera mística.
  • San Pietro Barisano: A igreja mais antiga de Matera, construída no séc. XIII com uma mistura de arquitetura rupestre e de superfície. Apresenta belos frescos e um pátio tranquilo.
  • Madonna delle Virtù e San Nicola dei Greci: Duas igrejas bizantinas escavadas na escarpa rochosa, mostrando a fusão de influências cristãs orientais e ocidentais no património religioso de Matera.
  • Convento de Sant’Agostino: Um convento do séc. XVII construído na orla dos Sassi, com vistas panorâmicas e um museu de artefactos religiosos.

🏛️ Evolução Histórica de Matera

De povoação pré-histórica a Capital Europeia da Cultura moderna, a história de Matera abrange milénios.

  • Origens Pré-históricas: Evidências de habitação humana desde o Paleolítico, fazendo de Matera um dos mais antigos povoamentos continuamente habitados da Europa.
  • Períodos Romano e Medieval: A posição estratégica da cidade levou à ocupação romana (estradas e aquedutos ainda visíveis nas escavações), e posteriormente às influências normandas (século XI) e bizantinas, que trouxeram a rica tradição iconográfica que ainda se observa nas igrejas rupestres com frescos de estilo greco-oriental. No século XIII, os Anjou franceses fizeram de Matera a capital da Basilicata.
  • Restauração Moderna: Em 1952, o escritor Carlo Levi denunciou em “Cristo si è fermato ad Eboli” as condições de vida miseráveis nos Sassi — famílias, animais e pessoas convivendo nas mesmas grutas sem água corrente. Em resposta, o governo italiano decretou a evacuação forçada dos Sassi entre 1952 e 1968, transferindo 15.000 habitantes para bairros modernos. A designação UNESCO em 1993 marcou o início da reabilitação que transformou as grutas em hotéis e espaços culturais.
  • Capital Europeia da Cultura 2019: A designação trouxe 54 milhões de euros de investimento público e privado, a construção de novos espaços culturais e mais de 1 milhão de visitantes adicionais. A cidade passou de destino obscuro a uma das referências do turismo cultural italiano, com o número de visitantes a triplicar entre 2014 e 2019.

🎨 Cultura Contemporânea e Artes

O cenário único de Matera atraiu artistas, cineastas e instituições culturais.

  • MUSMA (Museo della Scultura Contemporanea Matera): Instalado no Palazzo Pomarici, um palácio do século XVII interligado a habitações rupestres, este museu tem uma das maiores coleções de escultura contemporânea italiana — mais de 300 obras de artistas como Arturo Martini e Pietro Consagra. A particularidade do museu é que as esculturas estão dispostas pelas grutas adjacentes, criando instalações únicas onde a rocha calcária milenar serve de suporte natural às obras modernas.
  • Centro de Documentação e Estudos (CDS): Um centro de investigação com arquivo fotográfico e documental sobre a história dos Sassi desde o final do século XIX, incluindo os registos históricos da evacuação forçada dos anos 1950-60. O arquivo preserva testemunhos em vídeo de antigos moradores das grutas, documentando um modo de vida que desapareceu em apenas uma geração.
  • Localizações de Filmagem: Matera serviu de cenário para diversos filmes, incluindo “A Paixão de Cristo”, “Mulher-Maravilha” e filmes de “James Bond”.
  • Arte Pública e Instalações: A ZonArte e o festival Matera Alberga são iniciativas anuais que colocam instalações temporárias de artistas internacionais dentro dos Sassi. Artistas como Sol LeWitt e Joseph Kosuth criaram obras específicas para os espaços rupestres de Matera, estabelecendo um diálogo entre a arte contemporânea e os dois mil anos de história esculpida na pedra calcária.

🍽️ Gastronomia e Vinhos Locais

Matera oferece uma experiência culinária única enraizada nas antigas tradições da região e no campo circundante da Basilicata.

  • Cacio e Ova (Queijo Pecorino): O queijo pecorino lucano de Matera, feito de leite de ovelha das pastagens da Murgia, é curado entre três meses (fresco e suave) e um ano (stagionato, duro e picante). A versão “cacio e ova” — queijo misturado com ovo e ervas aromáticas — é a tradicional farsa (recheio) dos ciammaruchi, os lumache (caracóis) cozinhados em molho de tomate que são uma especialidade de Matera servida especialmente durante as festas da Bruna.
  • Massa Orecchiette: A massa em forma de orelha, típica da região, tradicionalmente feita à mão e servida com diversos molhos.
  • Vinhos Locais: As uvas Aglianico e Primitivo das colinas circundantes produzem tintos robustos que harmonizam perfeitamente com os queijos locais.
  • Comida de Rua e Mercados: Produtos frescos, pães locais e especialidades sazonais disponíveis no mercado diário da Piazza Vittorio Veneto.
  • Trattorias em Grutas: Restaurantes como o Baccanti e o Alle Fornaci servem pratos da Basilicata em autênticas habitações rupestre recuperadas, com mesas instaladas no interior das antigas grutas de pedra calcária. Os tetos abobadados e as paredes escavadas na rocha criam uma atmosfera singular que reflete a história milenar destes espaços — alguns dos quais foram habitados ininterruptamente até aos anos 1950, quando os moradores foram realojados por ordem do Estado italiano.

🏞️ Natureza e Arredores

Para além da cidade, Matera está rodeada por deslumbrantes paisagens da Basilicata que convidam à aventura ao ar livre.

  • Parque Nacional da Murgia: Criado em 2007, este parque protege 7.000 hectares de planalto calcário (“Alta Murgia”) com uma das maiores concentrações de dolinas (depressões cársicas) da Itália, fauna rupestre rara e mais de 30 km de trilhos sinalados. Do Belvedere do parque, do outro lado da ravina, tem-se a perspetiva mais icónica dos Sassi — a panorâmica que aparece em todos os postais de Matera.
  • Ravina da Gravina: A dramática ravina que rodeia Matera, com trilhos pedestres e vistas deslumbrantes da cidade desde o alto.
  • Alberobello (Excursão): Um sítio UNESCO nas proximidades com os singulares edifícios cónicos de pedra chamados “trulli”.
  • Excursões Costeiras: Passeios de um dia à costa Jónica com praias e aldeias piscatórias (cerca de 1 hora de distância).

🌙 Ambiente Noturno e Vida Noturna

As noites de Matera ganham vida com o brilho dourado do pôr-do-sol nas fachadas de pedra.

  • Sassi à Noite: O sistema de iluminação dos Sassi, instalado especialmente para a Capital Europeia da Cultura 2019, banha as fachadas de pedra calcária com luz quente que realça a textura milenar da rocha. As visitas noturnas guiadas com tocha percorrem igrejas rupestres fechadas durante o dia, incluindo a Madonna de Idris escavada diretamente na rocha da colina Monterrone. A visão dos Sassi iluminados desde o Belvedere do outro lado da ravina é um dos momentos mais fotogénicos do sul de Itália.
  • Bares Locais e Wine Bars: O Caffè del Cavaliere na Piazza Vittorio Veneto e o Vinorum são pontos de encontro para provar os vinhos da Basilicata — especialmente o Aglianico del Vulture, produzido a partir de uvas cultivadas nas encostas vulcânicas do Monte Vulture a cerca de 70 km, considerado um dos grandes vinhos tintos do sul de Itália.
  • Eventos Culturais: O Matera Film Festival (agosto) usa os Sassi como palco ao ar livre para projeções cinematográficas. O festival de música sacra “La Bruna” (2 de julho) comemora a padroeira da cidade com procissões iluminadas por tochas pelos distritos rupestres e fogo de artifício sobre a ravina da Gravina.
  • Observação de Estrelas: A ausência de poluição luminosa intensa e o clima seco da Basilicata tornam Matera num dos melhores pontos da Itália do Sul para astronomia amadora. A ravina da Gravina, escurecida à noite, cria um corredor natural escuro mesmo junto ao centro histórico.

🚇 Guia Prático de Matera

  • Melhor Época para Visitar: Primavera (abril-junho) ou outono (setembro-outubro) para clima agradável e menos multidões. Os verões são quentes (35°C+) e os invernos suaves mas a cidade pode sentir-se húmida.
  • Como Circular: O centro histórico compacto de Matera explora-se melhor a pé. A cidade tem boas ligações de autocarro e fica a cerca de 1 hora do Aeroporto de Bari.
  • Considerações Meteorológicas: A construção em calcário mantém a cidade fresca no verão e pode sentir-se húmida no inverno. Traga calçado confortável para as superfícies irregulares de pedra.
  • Etiqueta Cultural: Respeite os locais religiosos vestindo-se com modéstia. A fotografia é restrita em algumas igrejas — procure os avisos.
  • Segurança: Matera é muito segura para turistas. A restauração da cidade eliminou problemas anteriores com estruturas inseguras.
  • Moeda e Custos: Euro (EUR). Matera é mais acessível que os grandes destinos turísticos italianos, mas os preços subiram desde a designação UNESCO.
  • Idioma: O italiano é a língua principal, com um dialeto local lucano (do antigo nome romano da Basilicata) ainda falado por habitantes mais idosos. Nas zonas turísticas, muitos guias e hoteleiros falam inglês, mas fora do circuito central — especialmente nas trattorias locais e nos mercados — o italiano básico é essencial. Os habitantes de Matera distinguem-se facilmente dos turistas e respondem com entusiasmo quando o visitante tenta comunicar em italiano.
  • Acessibilidade: Muitas habitações rupestres têm escadas e superfícies irregulares. A acessibilidade para cadeiras de rodas melhorou mas continua desafiante em algumas áreas.